A importância da família aceitar o autismo

Quando uma família recebe a notícia de que seu filho tem Autismo é algo de grande impacto emocional. No consultório é comum os pais chorarem e expressarem uma enorme angústia. Sem dúvida, muitos de nós jamais desejamos filhos com problemas de desenvolvimento pois os imaginamos perfeitos, competentes e que um dia terão plena autonomia. A chegada desta notícia costuma arrasar expectativas e expor, na família, a perspectiva de que o filho com autismo terá sempre que ser conduzido, não conseguirá autonomia, tomará medicação e tantas outras sentenças.

As perguntas surgem: “Vai ser sempre assim?”, “Meu filho vai interagir socialmente?”, “Não será compreendido?”, ” “Quando ele vai falar?” Estas perguntas estão presentes durante as consultas e fazem com que a ansiedade sempre esteja presente na relação da família com os profissionais. Existem situações que a família não aceita o diagnóstico de autismo e passa a migrar para vários profissionais a fim de encontrar um que discorde e dê uma notícia melhor. Esta atitude faz com que a criança perca tempo precioso e que a melhora clínica seja empurrada e postergada piorando o prognóstico de boa funcionalidade dessa criança.

Durante esse processo é comum vermos os pais da criança, com sentimentos de baixa autoestima, culpa, perda de confiança no futuro, estresse conjugal, crises de ansiedade e problemas de sono. O apoio terapêutico as famílias são de extrema importância além de empoderar a família a fazer parte de todo caminho de intervenção. Na construção desse processo os pais passam de telespectadores angustiados para agentes multiplicadores de intervenção, aprendendo e reproduzindo os estímulos, sofrendo melhora significativa dos impactos negativos ocasionados pela descoberta do diagnóstico.

O passo mais importante durante todo o tratamento do autismo é aceitar e encarar o problema de frente. Quanto antes iniciarmos os tratamentos, melhores as chances desses sintomas desaparecerem, os pais devem ser ativos nessa construção em conjunto com toda equipe multiprofissional. Estas medidas aliviam a carga negativa e melhoram a relação dos pais com as demandas exigidas pelo tratamento de seu filho

O segredo é não desistir! Mesmo quando bater aquele cansaço, persista, faça parte dessa transformação do seu filho, pois temos a clareza que pais engajados no tratamento faz parte do sucesso do tratamento!

 

Estudos mostram que se os pais forem treinados e demonstrarem capacidade de aplicar intervenções, essas crianças melhoram. Até pouco tempo, os pais recebiam a mensagem que de que não podiam participar, que tudo era muito complexo e complicado e, além de se sentirem erroneamente culpados, sentiam-se incapazes de ajudar. Essa visão vem sendo progressivamente mudada. (Dr. Carlos Gadia)

 

 

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