Transtorno do Espectro do Autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é considerado um transtorno de neurodesenvolvimento no qual a criança tem dificuldade na comunicação social e mantêm um interesse restrito e estereotipado. Isso significa que é uma alteração ocorrida dentro do cérebro no qual as conexões entre os neurônios se dão de uma forma diferente ocasionando dificuldade em interagir com as outras pessoas de uma maneira adequada.

A alteração em comunicação social no TEA Autismo pode aparecer com:

- dificuldade no contato visual

- dificuldade no uso de gestos e expressões faciais

- dificuldades em fazer amizades e no brincar, entender emoções e sentimentos relacionados ao outro.

- Não se interessam por coisas que as outras crianças propõem (brinquedos ou brincadeiras que não sejam do seu interesse). Por exemplo, enquanto as outras crianças brincam com peças de montar e planejam fazer um prédio, a criança com autismo usa as pecas para enfileirar ou empilhar.

- Aproximação de uma maneira não natural, robotizada, “aprendida” e tem fracasso nas conversas interpessoais.

- Demonstrações de pouco interesse no que outra pessoa está dizendo ou sentindo. Por exemplo, quando alguém relata estar aborrecido com o trabalho, a pessoa com TEA Autismo pergunta sobre o tipo de serviço que ele faz e não sobre o sentimento que ele traz.

- Dificuldade em iniciar ou responder a interações sociais.

- Dificuldade de entender a linguagem não verbal das outras pessoas, tais como as expressões faciais, gestos, sinais com os olhos, cabeça e mãos.

- Dificuldade em se adaptar a diferentes situações sociais, tais como dificuldade de dividir brinquedos, mudanças de brincadeiras, participar de brincadeiras imaginárias (casinha, por exemplo).

O interesse restrito e estereotipado pode aparecer:

- Movimentos repetitivos ou estereotipados com objetos e/ou fala. Por exemplo: Pegar um carrinho, virar e girar a rodinha repetidamente, ao invés de brincar da forma esperada; pegar bonecos e jogá-los ou colocá-los na boca, ao invés de montar uma brincadeira criativa com eles.

- Na fala, repetições de filmes ou desenhos, falando sozinhos numa linguagem “própria”, sem função de interação social.

- Insistência em rotinas, rituais de comportamentos padronizados, fixação em temas e interesses restritos. Por exemplo, só falar de carros ou de um personagem, não se interessando por outros assuntos; só querer jogar o mesmo jogo no Tablet.

- Hiper ou hipo reação a estímulos do ambiente como sons ou texturas.

- Estereotipias motoras, movimentos repetitivos com o corpo ou com as mãos, tais como abanar as mãozinhas, pular ou rodar, bater as mãos, alinhar objetos, empilhar.

- Extrema angústia com pequenas mudanças na rotina, como mudar o caminho de casa, por exemplo. Gostam de manter os mesmos costumes, entendem que o mundo “correto” é como eles aprenderam na primeira vez. Tentam manter o mesmo padrão, sempre.

- Forte apego a objetos, gastando muito tempo observando ou usando um mesmo brinquedo ou segurando o dia todo algo que caiba nas mãos. Mesmo quando pedimos para escolher outro, não conseguem parar de se preocupar com aquele determinado. Nesses momentos, dificilmente a criança compartilha conosco o que está fazendo, não traz para nos mostrar e não nos olha com a intenção de ver se estamos vendo-a.

- Sensibilidade a barulhos, cheiros, texturas de objetos ou ficar extremamente interessados em luzes, brilhos e determinados movimentos repetitivos, como objetos girando ou ventiladores, por exemplo.

- Alteração na sensibilidade a dor. Algumas vezes, os pais descrevem quedas ou batidas que parecem não ter sentido dor.

Como cada indivíduo é único, as crianças com TEA podem apresentar nuances diversas dentro destas características descritas acima.

História do TEA Autismo

Por meio de um processo histórico podemos observar as significativas mudanças com as quais o TEA autismo se depara até os dias atuais.

Kanner em 1943, utiliza-se da nomenclatura autismo, (a mesma usada por Bleuer em 1911) em sua obra “Autistic Disturbances of Affective Contact”. Nesse estudo observou 11 crianças que correspondiam uma série de característica peculiares, tais como “obsessividade”, “estereotipias” e “ecolalia”.

Gadia et al. (2004) relatam que um ano mais tarde da publicação de Kanner, Hans Asperger, descreveu casos que assemelhavam-se aos descritos por Kanner, em seus estudos as crianças mantinham preservação cognitiva, porém apresentavam dificuldades de comunicação social.

Em 1987, o autismo foi separado do enquadre da esquizofrenia, que até então se entendia ter sintomas próximos, e classificado com um Transtorno pelo DSM-III-R (Manual Estatístico e Diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria).

Em 1995, na versão do DSM-IV, o autismo é considerado um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e também passa a ter inclusão dos quadros de Transtorno de Rett, Transtorno de Asperger e Transtorno Desintegrativo da Infância.

Atualmente temos disponível a atualização do DSM-V, que se utiliza da nomeação Transtorno Espectro Autista (TEA Autismo) que segue dois critérios: (1) déficits na comunicação social e interação social; (2) padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamentos interesses e atividades.

O DSM-V, segundo Grandin e Panek (2015), está mudando a abrangência do próprio diagnóstico. No DSM-IV, a categoria relacionada ao autismo era transtornos globais do desenvolvimento e incluía os seguintes diagnósticos:

Transtorno autista (ou autismo “clássico”)

Síndrome de Rett

Transtorno Desintegrativo da infância

Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação (TGD-SOE) (ou autismo atípico)

Agora, o DSM-V lista apenas um:

Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A ocorrência do autismo também é algo que se mostra crescente, segundo Silva et al. (2012), tal atribuição fez com que o autismo fosse mais conhecido, e confirmado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que aproximadamente 70 milhões de pessoas são acometidas pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mundo sendo que sua prevalência se faz maior em indivíduos do sexo masculino.

Diante desse aumento cada vez maior do espectro na população mundial, torna-se de extrema importância estudos que apresentem procedimentos interventivos em indivíduos acometidos pelo Transtorno Espectro Autista TEA.

Ainda não se tem um exame específico que podemos diagnosticar o autismo, seu diagnóstico é feito por meio da observação do comportamento da criança por um especialista.

REFERÊNCIAS

ASSUMPÇÃO, Francisco Baptista; PIMENTEL, Ana Cristina M. Autismo Infantil. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo: v. 22, 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v22s2/3795.pdf.

DSM-IV - Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. Disponível em: http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm.php?busca=transtorno+global+do+desenvolvimento.

GADIA, Carlos Amin et al. Autismo e Doenças Invasivas de Desenvolvimento. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro:v. 80, n 2, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2s0/v80n2Sa10.pdf.

GRANDIN, Temple; PANEK, Richard. O cérebro autista. Ed. 1, 2015.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa et al. Mundo Singular. Rio de Janeiro: ed. 1, 2012.

WILLANS, Chris; WHIGHT, Barry. Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger. São Paulo: ed. 1, 2008.

Tratamentos

O reconhecimento precoce podem reduzir os sintomas, além de oferecer um pilar de apoio ao desenvolvimento e à aprendizagem.

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