Autismo e dieta alimentar

Muitas crianças que possuem Transtorno do Espetro Autista (TEA) apresentam comorbidades gastrointestinais associadas, como constipação, diarreia, dor abdominal e outras doenças gastrointestinais. Apesar da alta correlação encontrada, ainda não se sabe o porquê tais sintomas aparecem mais em crianças com autismo. Porém, eles precisam ser tratados com especialistas, para que sejam aliviados e o impacto negativo no cotidiano da criança seja diminuído. Além disso, é importante realizar uma investigação sobre possíveis alergias alimentares, que indicariam a necessidade de uma dieta alimentar restritiva, melhorando, assim, a qualidade de vida dela.

Atualmente, alguns tratamentos baseados em dietas alimentares se propõem a melhorar não apenas sintomas gastrointestinais, mas também comportamentais da criança. Tais tratamentos levantam a hipótese de que respostas imunes e uma permeabilidade intestinal anormal nas crianças com autismo resultam na absorção de moléculas quebradas no intestino, que atuariam de forma opioide, influenciando no Sistema Nervoso Central e, assim, aumentando comportamentos auto e hetero agressivos, estereotipias, falta de atenção e dificuldade comunicativa. O mais difundido tratamento alimentar propõe a restrição a alimentos que contenham glúten e caseína, como forma de evitar tal absorção e, assim, diminuir os comportamentos citados.

Apesar de alguns estudos já terem sido realizados na tentativa de comprovar sua eficácia, não há na literatura científica dados conclusivos sobre a influência do tratamento da dieta alimentar em comportamentos autísticos, devido à falta de qualidade metodológica desses estudos.

Além disso, toda dieta alimentar pode acarretar em deficiências nutricionais importantes, o que é muito sério em crianças, já que estão em processo de desenvolvimento. Crianças com autismo muitas vezes apresentam, ainda, uma grande seletividade alimentar, que já prejudica a boa nutrição.

Ainda, restringir a alimentação de uma criança impacta diretamente em sua vida social, pois a impede de participar de eventos que envolvam muitos alimentos, como festinhas de aniversário, por exemplo, ou pelo menos, de participar em sua plenitude. Até para crianças com desenvolvimento típico, que não apresentam dificuldades sociais, esta pode ser uma questão difícil de lidar. Para crianças autistas, que apresentam tal dificuldade, restringir ainda mais as oportunidades sociais pode representar uma grande perda para elas.

Por isso, uma vez que não há comprovação científica dos benefícios da dieta de restrição alimentar em comportamentos autísticos, é muito importante que as restrições sejam aplicadas apenas a crianças com comprovada alergia, intolerância alimentar ou doença gastrointestinais, para garantir a ampliação de seus gostos alimentares, bem como os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento.

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